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Público poderá assistir  a partida a apenas 10 metros do gramado
O analista de sistema Gustavo Huff Mauch ocupa a cadeira P112 do Olímpico, na linha do pênalti da goleira ao lado da Geral, à direita das cabines de imprensa. Senta-se no assento de metal, o braço da acomodação ele disputa com o ocupante ao lado. Costuma assistir aos jogos do Grêmio em companhia do pai, Cláudio, e um amigo. Há 10 anos convive ali. De uma forma geral, não se importa com o desconforto, mas nas últimas partidas se viu obrigado a colocar a jaqueta para forrar a base da cadeira devido ao friozinho que se avizinha. Fica imaginando como será a Arena, embora mantenha um lema que costuma repetir na fileira das cadeiras:
"Se tivesse de escolher entre assistir ao último jogo do Olímpico e o primeiro da Arena, votaria pelo primeiro."

Talvez por isso tenha pago de uma só vez R$ 1,8 mil pelo pacote de ingresso deste ano inteiro. Mas a nova casa já lhe enche de orgulho. Pagaria mais por assentos dos quais não precisasse recorrer à jaqueta e passaria mais tempo de pré-jogo dentro da Arena. Talvez até deixe de tomar a cerveja que hoje ele consome fora do estádio. Trocaria o bar da rua pelo convívio com os amigos num dos restaurantes da Arena. Está de olho nos prédios que serão erguidos na área do estádio. Já fez contato com corretores, não deixa de ligar porque, aos 32 anos, pretende investir suas economias em um apartamento de dois dormitórios.

Gustavo tem o perfil ideal de torcedor da Arena, diria Eduardo Antonini, o presidente da Grêmio Empreendimentos, a empresa que gera o negócio. O conceito do estádio foi projetado para faturar 50% da receita com apenas 20% dos assentos. Gustavo estaria nesta faixa. Mas o estádio terá oito segmentos de bolsos, do torcedor das poltronas Gold até a área reservada à Geral. Os preços, aliás, ainda estão em discussão no Conselho Deliberativo. Sejam quais forem, a ocupação média de 25 mil pessoas do Olímpico deve passar a 40 mil na Arena.

– O torcedor ficará mais próximo do gramado e essa sensação fará toda a diferença – diz Antonini, alfinetando o projeto do Beira-Rio, onde os torcedores não ficarão tão perto do campo.

O encurtamento da distância é substancial. Se no Olímpico os ocupantes das cadeiras mais próximas veem o jogo a 40 metros, na Arena verá a 10 metros. Combinado a isso, o torcedor descerá do carro no estacionamento próximo ao elevador e por ele subirá direto ao setor de sua cadeira, em torno do qual haverá restaurantes e dezenas de lanchonetes.

Esse é o modelo preconizado por Amir Somaggi, consultor e diretor da área de esporte da BDO RCS. Segundo ele, Porto Alegre tem a seu favor o turista de eventos. Em vez de se encastelar no hotel, ele consumirá o shopping em torno dos estádios.

– Esse cara tem dinheiro na carteira e está disposto a gastar – diz Somaggi, referindo-se ao 1,5 milhão de hóspedes que ocupam em média 62% dos 90 hotéis da Capital.

Se Gustavo se mudar para o apartamento na área da Arena no bairro Humaitá, ele assumirá o novo estádio por completo. Consumirá Grêmio dia e noite e deflagrará uma mudança de vida. E de poltrona. 

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