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  Nas décadas de 80 e 90, nos colocamos como gigantes do futebol. Bons times, vitórias e taças. Tudo isso em pouco tempo (levando em conta o futebol) e em uma supremacia gritante.

Construímos uma história de titulos e glórias onde até hoje, recordamos e homenageamos os responsáveis por isto. E vou contar uma bomba a vocês, que talvez os mais recentes torcedores ou a turma do "Soy de Grêmio" não conhecem: Dinho, volante multicampeão com o Grêmio, praticamente não errava passes. Dinho dava carrinhos, mas seu principal ponto forte em campo era não errar passes, fazer uma boa saída de bola e ter um ótimo chute. Se você cresceu afirmando que Dinho é a cara do Grêmio apenas por causa da raça, dos carrinhos ou da vibração, pergunte aos seus pais, seus avós, se realmente era isto que o fazia um grande jogador.
Dinho tinha um perfil vencedor e além disso, jogava MUITA bola.

A grande diferença deste ultimo GreNal está nisso. O Grêmio tem jogadores raçudos, com vontade, com entrega. O Inter também tem isto e realmente estas coisas são extremamente importantes no futebol, mas o que os diferencia é algo praticamente essencial em um time campeão: O perfil vencedor.

O craque, o cara que corre para marcar, que mata contra ataques com falta, mas que não erra passes, que a perna não treme em decisões, que organiza o time em campo, que não sente o peso de uma final, que não se apequena em grandes partidas, que toma o controle do jogo para si, chama a responsabilidade e faz dela seu diferencial e faz de seu time campeão. Que cobra de seus companheiros vontade, mas cobra muito mais que façam o certo, que se posicionem corretamente. O dono ou os donos do time, que facilitem a vida dos jovens, que criam jogadas ou acabem com as adversárias de forma inteligente.

Perdemos o perfil vencedor faz muito tempo. Conseguimos algumas boas contratações, que não vingaram. E não podemos pedir que Luan, Mamute e Everton sejam decisivos ou que não errem. Errar faz parte em qualquer etapa da vida, principalmente no futebol. Mas o certo é dar base para estes garotos. É colocar gente experiente e capacitada ao seu lado em campo para tirar deles a pressão. Deixando a Grenalização, as vezes burra, de lado, posso exemplificar da seguinte forma: D'alessandro quando Cebolla entrou em campo no primeiro jogo, virou-se para a defesa e alertou todos os 4 de como deveriam se posicionar, de que Cebolla era um jogador perigoso. D'alessandro no jogo de ontem, recebia e distribuia a bola como se estivesse jogando em uma pelada. Tinha calma, tinha cérebro, tinha comando dentro de campo e o mais importante, tinha futebol. Atributos que facilitaram e muito a vida de seus companheiros, Atributos que deixavam Valdivia, Dourado, William e Sasha livres e confortaveis para arriscarem jogadas, para participarem do jogo, para terem espaço e organização em campo. E quando D'alessandro cansou, entrou Alex, praticamente uma cópia do argentino em sua forma de jogo e de liderança.

- Não idolatro o D'alessandro, acho-o bom jogador, e apenas o usei de exemplo por ser mais "próximo" e conhecido dos torcedores Grêmistas.

Esse perfil vencedor, cria outros perfis vencedores. Ajuda os jovens a crescerem e virarem novos perfis vencedores. Carrinho, soco no próprio braço para vibrar, vontade e garra ganham jogo. Organização, liderança, foco, futebol no pé e PODER DE DECISÃO, ganham campeonatos.
Não somos piores que ninguém, apenas devemos rever nossos conceitos. Pode ter dado certo em alguns momentos mas hoje, não funciona mais. Não estamos mais em 1995 e mesmo se nada tivesse mudado, mesmo assim estariamos na mesma. Os times de 95-96, 2001, 1983 e etc, eram equipes prontas para serem campeãs. Eram equipes que não tremiam em decisões e o mais importante de tudo: Eram equipes de ótimo futebol.

Por Ricardo Araujo @ricaraujo16

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